Se eu não acordar amanhã, será que demonstrei o quanto te amava? Será que dividi todas as minhas alegrias, ou não te fiz chorar?
Será que fui seu companheiro nos momentos que precisou? Será que te ajudei na educação dos filhos e não faltei nas reuniões na escola?
Se eu não acordar amanhã, será que não ergui a voz quando podia ter falado baixo, ou fui grosseiro quando podia ter sido meigo? Será que te valorizei o quanto você merecia em conversas com os amigos?
Será… será que dediquei o tempo todo a você, e deixei o jornal e os noticiários para bater um longo papo? Será que as promessas que fiz no altar eu as cumpri? Ser fiel, amar, respeitar….
Será que as rugas do seu rosto são da idade e nenhuma eu provoquei?
Mas… mas se eu não acordar amanhã, será que agora com seus cabelos brancos, ainda consigo ver o brilho nos olhos dos tempos de jovem? Consigo ter calma para acompanhar os teus passos e andar de mãos dadas?
Será… será que consigo ir num jantar a dois, ou num café demorado tendo só você ao meu lado? Será que consigo olhar nos seus olhos e eles me falarem do passado e apesar da idade dos planos para o futuro? E será que consigo notar que eles continuam verdes, iguaizinhos quando te conheci?
Mas… mas se eu não acordar amanhã, será que te disse toda manhã e antes de deitar o quanto te amo, o quanto você é importante para mim? Será que reparei nos pequenos gestos e nas grandes atitudes, que moldaram a família?
Se eu não acordar amanhã, fica uma única certeza: eu vivi um grande amor. E que se um dia você também não mais acordar, espero, se Deus permitir, te encontrar no Céu. Não sei se mereço lá estar, mas com certeza você estará.
Te amo, Rita.
08/2017