Quero voltar ao passado onde tudo era mais calmo, aquela praça antiga onde um dia te conheci e ver seus olhos esverdeados sorrindo para mim.
Quero ver as crianças correndo soltas e sem medo a brincar em um jardim, deixar a janela aberta e a porta sem trinco até na hora de dormir.
Quero voltar ao passado, fazer um pic-nic demorado a sombra de uma árvore à beira de um riacho, não me importar com o perigo e só ficar de olho nas formigas que as comidas queriam levar.
Quero usar meu relógio, aquele grande ainda de ponteiros que precisava dar cordas o dia inteiro e que só as horas sabia marcar.
Quero assistir minhas séries, Zorro, Rim Tim Tim, aqueles heróis japoneses que sabiam até voar, e o Perdidos no Espaço que tinha um robô meio estranho que sabia até falar. Ah, eu queria assistir tudo e não teria preguiça se do sofá tivesse que levantar, pois controle remoto não existia e a toda hora a imagem descia e subia e o vertical e horizontal eu precisava regular.
Quero voltar ao passado, usar o sapato Vulcabras, aquele que nunca acabava, a sola de borracha e só precisava engraxar, do tênis ke chute, Alpargatas, do chinelo de dedo que a tira insistia em soltar, da camisa que novidade inventaram um tal de nylon, seu nome Volta ao Mundo, e no corpo insiste em grudar, no calor era muito quente e no frio gelada a não aguentar.
Quero voltar ao passado…
Quero andar de bicicleta, Caloi ou Monark, aquela de pneu balão que tinha a cor do meu time do coração, viajar pelas ruas a trabalho ou passeio não me importo pois só quero pedalar, ou em turma me aventurar até Carioba, aquele bairro distante de caminho fechado com bambús que no alto as mãos pareciam se encontrar.
Quero andar de Leonete vermelha e na minha Lambreta azul, que até nome cheguei dar.
Ah, e minha Kombi verde, velha, toda cheia de cromos nos vidros que para fora era até difícil de enxergar, dela é que eu tenho mais saudade, pois num dia sem esperar me levou até aquela praça antiga que um dia te conheci e alí vi seus olhos esverdeados sorrindo para mim.
