Hoje num café demorado (para variar), conversamos muito sobre a vida, as fases, o que já passamos, fizemos e ainda queremos fazer. A conclusão foi que a idade chegou. E chega com as experiências e as limitações próprias da vida, limitações que as vezes insistimos em desafiar, e aí o preço talvez seja alto e caro para pagarmos, e com certeza não vamos estar preparados. Muito fácil e talvez banal para explicar: “a cabeça pensa, mas o corpo não reage”.
Falamos do caminho percorrido, os filhos, netos, bisneto, genros e noras, enfim, da família e da nossa relação com todos. Do nosso vôo que já está na fase cruzeiro, e a mãe logo falou “Qualquer dia vai cair”, no que retruquei: “Não, bem, vai aterrizar”.
É isso que penso da vida, é isso que quero que pensem de mim: não estive sempre certo, dei minhas cabeçadas. Não pude rir sempre pois as lágrimas as vezes me impediam. Não pude ajudar sempre, pois tem horas que temos que deixar aprender. Não pude dar sempre as mãos, pois tem horas que temos que deixar caminhar. Não estou certo sempre (ou quase nunca), mas procuro aprender, e aprendo com a disposição e alegria da juventude e a experiência dos mais idosos que já passaram pelo meu caminho.
Espero deixar saudades e não rancores. Que se lembrem das minhas broncas, mas também dos meus sorrisos. Que se lembrem dos meus tombos, mas que de todos me levantei e fiquei em pé. Que tentei constituir uma família, simplesmente isto, com pessoas e pensamentos diferentes, mas que acima de tudo se amem.
Que gostoso, mas que gostoso mesmo, poder escrever estas simples linhas, com lágrimas nos olhos, mas com um sorriso no coração, e poder dizer, como o apóstolo Paulo disse (e a Lu e eu conversamos um dia muito sobre isto):
“Combati o bom combate, terminei a corrida e guardei a fé”.
Que Deus nos abençoe e mostre sempre o caminho a ser seguido.
Amamos muito todos vocês!
Airton – 14/12/2024