Onde está o cavalinho de madeira que eu empurrava pela rua inteira, onde está a bola de capotão que eu chutava até acabar?
Onde está o ribeirão perigoso que eu ousava desafiar, onde está a rua de terra que eu jogava fubecas?
Onde está o papagaio que nas nuvens eu tentava chegar, onde estão as madeiras para a fogueira das noites de São João?
Onde está a nossa rua sem saída que era mais fácil de brincar, onde estão os gibis que eu trocava aos domingos na porta do cinema?
Onde está minha primeira máquina fotográfica que era um encanto só? E o rádio ? Que novidade, já tem a pilha e na tomada nem precisa ligar.
Onde está a fonte luminosa que tem águas coloridas, e como pode, até música sabe tocar?
Onde estão os sábados e domingos na praça principal, a praça da meninada querendo namorar?
Onde está meu grupo escolar, meus professores que da saudade só de falar, da hora do recreio, da canjica e do chocolate que gosto não tem igual?
Onde está meu pai, de hábitos rudes, que me punha medo só de olhar, dele eu tenho uma saudade enorme, pois era seu jeito de amar.
Tudo isto e muito mais que as lágrimas me impedem de continuar, estão em lugares que muitos não sabem, mas é a maior distância que pode existir no universo, que é entre a mente e o coração.
Pois tudo guardo na minha memória, mas CARREGO NO MEU CORAÇÃO.
